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Origem do Carnaval

A origem dessa festividade é incerta, mas acredita-se que tenha surgido na Grécia, por volta do ano 520 a.C. Era um evento regado a muito vinho e as pessoas se reuniam em nome do deus Dionísio (Baco), com a única intenção de se divertir, celebrar a fertilidade e a chegada da primavera. Assim como o Carnaval Carioca!

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Festas de Baco, marcadas pela embriaguez e os prazeres da carne

Essa comemoração se tornou popular em Roma durante os primeiros séculos da Era Cristã, e, depois de muito tempo, foi reconhecida e incluída no calendário cristão. Pela tradição da igreja, o Carnaval sempre acontece no sétimo domingo que antecede ao domingo de Páscoa.

A quarta-feira de Cinzas dá início à quaresma, um período em que os católicos pregam a reflexão e abstenção dos prazeres mundanos e a despedida das festividades de Baco. Ainda hoje, o Carnaval é comemorado no mundo inteiro, mas possui características diferentes em cada país que o festeja.

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Quadro de Johannes Lingelbach (1622-1674): Carnaval em Roma, seguindo a tradição da Commedia Dell’arte

O Carnaval Carioca

Em Portugal, já na Idade Média, costumava-se comemorar o período carnavalesco com toda uma série de brincadeiras, que variavam de aldeia para aldeia, principalmente na região dos Açores e Cabo Verde. Em alguns lugares havia grandes bonecos, chamados genericamente de “Entrudos”.

Esta festa chegou ao Brasil no período colonial, trazida pelos portugueses, e era comemorada principalmente pelos escravos. Eles saíam pelas ruas com seus rostos pintados, jogando farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas. As famílias mais abastadas não se misturavam e preferiam ficar em casa.

Carnaval Carioca
Pintura de Debret retratando o Carnaval no Brasil escravocrata

No final do século 18 o Carnaval já era comemorado em quase todo o território nacional, mas sofreu várias mudanças por conta da influência do folclore indígena e da cultura africana trazida pelos escravos. Todos esses fatores culturais construíram um Carnaval distinto em cada parte do Brasil: o Rio de Janeiro é famoso pelos desfiles das Escolas de Samba, as bandas e os animados blocos de rua, Pernambuco tem o Frevo, a Bahia os Trios Elétricos e o Axé…e ainda há muitos outros estilos regionais!

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Tradicionais bonecos gigantes de Olinda

Tentativas de civilizar o Carnaval Carioca

Com a mudança da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, surgiram as primeiras tentativas de “civilizar” essa festa carnavalesca, através da importação dos bailes de máscaras parisienses. Assim, o “Entrudo Popular“ passou a sofrer um forte controle policial. Várias proibições foram impostas a partir de 1830, numa tentativa sempre infrutífera de acabar com essa gigantesca e espontânea manifestação do povo.

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Os “animados” bailes de máscaras parisienses…

Origem dos Bailes de Carnaval

Enquanto o Entrudo era reprimido nas ruas, a elite do Império criava os Bailes de Carnaval em clubes e teatros. Os foliões iam fantasiados e mascarados, inspirados nos tais bailes parisienses. As fantasias mais tradicionais e usadas até hoje são as de PierrotArlequim e Colombina, originárias da commedia dell’arte. Nesses bailes da Capital Imperial eram tocadas principalmente as polcas (oi?), ao contrário dos Entrudos, onde não havia músicas, só brincadeiras.

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Pierrô, Arlequim e Colombina, tem coisa mais triste???

Cordões, ranchos e blocos

A elite do Rio de Janeiro criaria ainda as sociedades, cuja primeira foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, que passou a desfilar nas ruas da cidade. Enquanto o Entrudo era reprimido, a alta sociedade imperial tentava tomar as ruas. Mas, as camadas populares não desistiram de suas festas carnavalescas e, em finais do século XIX, vários grupos passaram a ocupar as ruas do Rio de Janeiro, dando origem aos cordões, ranchos e blocos, embriões do Carnaval Carioca!

Carnaval Carioca
Foliões do Clube dos Democráticos (foto: O Globo)

Os precursores da marchinha, do samba e do Carnaval

Em 1890, Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marchinha especificamente para o Carnaval: Ô Abre Alas. O samba, propriamente dito, surgiria somente por volta da década de 1910, com a música Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, ritmo que foi se tornando, ao longo do tempo, o legítimo representante da música carnavalesca!

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Chiquinha Gonzaga
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Donga e Mauro de Almeida (1916)

Mas as marchinhas não perderam o seu lugar e passaram a conviver com o samba, tanto que a década de 1930 ficou conhecida como a Era das Marchinhas. Uma das mais famosas até hoje, O teu cabelo não nega, foi composta em 1931 por Lamartine Babo e os Irmãos Valença.

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Lamartine Babo

A origem das Escolas de Samba do Carnaval Carioca

Ao longo do século XX, o Carnaval popularizou-se ainda mais no Brasil e conheceu uma diversidade de formas de expressão, tanto entre a classe dominante, como entre as classes populares. Entre 1910 e 1920 os corsos tiveram sua vez, quando os carros conversíveis da elite carioca desfilaram pela atual Av. Rio Branco.

Carnaval Carioca
O Corso
Carnaval Carioca
O desfile do corso

A democratização do Carnaval

Mas, foi somente na década de 1920 que as Escolas de Samba surgiram entre as classes populares. As primeiras delas teriam sido a “Vai como Pode”, futura Portela (1923), e a “Deixa Falar”, originária do bairro do Estácio, perto da Praça Onze, reduto do samba, da batucada e do candomblé.

Ela foi criada originalmente como bloco, pelo sambista carioca Ismael Silva, e deu origem à escola Estácio de Sá (1928). O nome “escola” foi sugerida pelo próprio Ismael Silva, em analogia a uma escola normal que funcionava no bairro, pois para ele, a “Deixa Falar” funcionava como um verdadeiro celeiro de “professores do samba”!

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Da esquerda para a direita: Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Bide e Marçal, os bambas do samba de raiz!

O surdo, a cuíca e o 1º desfile

Na Deixa Falar foram inventados o surdo e a cuíca! Nos carnavais de 29 e 30 ela desfilou ainda como bloco, mas em 1931 já se organizava de outra forma, se preparando para, no Carnaval do ano seguinte, desfilar como rancho, que eram os grupos de maior prestígio da época. Então, em 1932, quando aconteceu o primeiro desfile das Escolas de Samba, a Deixa Falar não quis participar do concurso! E, ao invés de sair às ruas com o samba característico, inventado pelos seus próprios componentes, não, desfilou com uma marcha-rancho! O desfile foi um desastre e ela nem classificada foi!

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Ismael Silva, um dos fundadores do Samba

Os primeiros patrocinadores

Este primeiro desfile oficial de 1932 foi organizado pelo jornal “Mundo Sportivo”, e as escolas passaram a receber subsídios da prefeitura. A partir daí os desfiles cresceram e apareceram, pois o Carnaval de rua começou a ganhar um novo formato e novas Escolas de Samba surgiram no Rio de Janeiro e em São Paulo, agora organizadas em “Ligas de Escolas de Samba”.

Os desfiles na TV

Em 1933 o desfile passou a ser patrocinado pelo ‘O Globo’, maior grupo de mídia brasileiro. O desfile ficou mais organizado, ganhou o apoio da Prefeitura, mas ainda estava muito aquém do reconhecimento pretendido pelos sambistas. Então, para melhorar a divulgação dos desfiles, jornalistas visitaram algumas escolas para explicar aos leitores o que elas eram de fato, pois aquela era ainda uma manifestação desconhecida de seus leitores, que eram predominantemente das camadas superiores da sociedade.

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A nova regulamentação das Escolas de Samba

Em 1952 as Escolas de Samba transformaram-se em sociedades civis com seus regulamentos e suas sedes próprias. A partir da década de 1960, tanto as escolas, quanto o Carnaval Carioca se tornaram uma importante atividade cultural e comercial. De um lado havia os bicheiros, que começaram a investir pesado nas escolas. Do outro lado estava a Prefeitura do Rio de Janeiro, que passou a colocar arquibancadas na Av. Presidente Vargas e a vender ingressos para a população assistir aos desfiles.

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Carnaval na Av. Presidente Vargas

A Marquês de Sapucaí

Nos anos 70 o desfile passou a ser na Rua Marquês de Sapucaí, onde acontece até hoje. Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí em questão, foi uma importante figura, pois cuidou da educação da Princesa Isabel e foi Ministro da Fazenda na época de D. Pedro II. Mas a sua fama veio mesmo quando os desfiles se mudaram para a rua que leva o seu nome!

O Sambódromo

Em 1984 a Passarela do Samba foi criada no Rio de Janeiro,  o conhecido Sambódromo, sob o mandato do ex-governador Leonel Brizola. Com um desenho arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer, a edificação passou a ser um dos principais símbolos do Carnaval Carioca. Eu, particularmente, não gosto nadinha desse símbolo, que lembra muito a logomarca de uma certa rede de fast food…

Carnaval Carioca

A reforma do Sambódromo em 2016

O Sambódromo foi reformado recentemente, de acordo com o projeto original de Niemeyer, e acomodará em torno de 72 mil espectadores no Carnaval e nas provas dos Jogos Olímpicos de 2016. Há bares com comidas e bebidas e banheiros em cada setor. Além disso, todos têm acesso à área livre, um espaço que fica atrás das arquibancadas, com restaurantes, sorveterias, lojas de suvenires e mais banheiros.

Carnaval Carioca

A muvuca que deu certo!

As Escolas de Samba representam o espírito de comunidade de um bairro, que é geralmente uma determinada favela, e têm um impacto enorme nesses locais. São milhares de pessoas que se juntam nos ensaios, nas noites de roda de samba, nas famosas feijoadas e nos preparativos para o Carnaval. Cada escola tem as suas próprias cores, sua bandeira e o seu estilo de bateria.

Carnaval Carioca
Ensaio na quadra da Mangueira

Este ano serão 12 Escolas de Samba no Grupo Especial e 14 no chamado Grupo de Acesso. As mais tradicionais são Mangueira, Portela, Estácio de Sá, Salgueiro, Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense, Império Serrano e Vila Isabel. 

Carnaval Carioca, a maior festa do Mundo!

O Carnaval, além de ser uma tradição cultural brasileira, passou a ser também um lucrativo negócio do ramo do turismo e do entretenimento. Milhões de turistas brasileiros e estrangeiros visitam o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, durante essa festa. Bilhões de reais são movimentados na produção e consumo dessa pitoresca atração cultural!

Carnaval Carioca

Virou indústria

Há uma verdadeira indústria do Carnaval, que engloba um conjunto de atividade para produção de fantasias, adereços e materiais para os carros alegóricos. São vários empregos informais para milhares de costureiras e artesões. Isso sem falar nos ensaios e feijoadas abertos ao público pagante, e na arrecadação com a venda dos ingressos para os desfiles do Grupo de Acesso (sexta e sábado), Grupo Especial (domingo e segunda) e Desfile das Campeãs (sábado subsequente)!

Carnaval Carioca

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Em 2015 o Carnaval Carioca movimentou mais de 2 bilhões de reais e atraiu 977 mil turistas. Os mais de 450 blocos espalhados pela cidade receberam 4,793 milhões de pessoas!!! Os blocos recordistas de público foram o Cordão do Bola Preta, com 1 milhão de pessoas, Monobloco, com 500 mil e Bloco da Preta Gil, com 350 mil (dados da Riotur, segundo O Estadão)!

Carnaval Carioca
Cordão do Bola Preta

Os Blocos

Os Blocos surgiram no século 19, mas foi no século 20 que a elite carioca resolveu organizar essa “confusão” carnavalesca. Assim, foram definidas as “categorias” da folia, que eram divididas em Sociedades Carnavalescas (as mais sofisticadas), Ranchos (os mais sociáveis), Blocos (algo intermediário) e Cordões (os “descontrolados”).

Como os blocos situavam-se no meio do caminho entre os “louváveis ranchos” e os “temidos cordões”, acabaram adquirindo as características de ambos, e essa ambivalência serviu de inspiração para que os vários grupos de samba tivessem a aceitação da sociedade no final da década de 1920.

Carnaval Carioca

Blocos Cariocas

Depois de um período de vacas magras, os blocos ressuscitaram o Carnaval Carioca de rua, que ressurgiram com força total, e desde então têm sido mais um grande atrativo carnavalesco na cidade. Os mais variados tipos de blocos têm atraído milhares de súditos, que se entregam de corpo e alma (às vezes mais de corpo do que de que alma!) às folias do Rei Momo!

Os seus nomes são criativos, sugestivos e muitos têm duplo sentido! Há várias alas vestindo divertidas fantasias, remetendo aos acontecimentos do momento, então esse ano as músicas, fantasias e máscaras relativas à Operação Lava Jato prometem muita criatividade e diversão (pelo menos nessa área!).

Carnaval Carioca 2016
Trio Calafrio: Delcídio, Cunha e o Japonês da Federal

Os blocos das multidões

Todo o ano são centenas de Blocos que desfilam antes, durante e depois do Carnaval Carioca! Alguns deles, tais como o Cordão do Bola Preta, Suvaco do Cristo, Simpatia É Quase Amor e Monobloco, arrastam sozinhos quase 2 milhões de foliões pelas ruas da Cidade Maravilhosa! Cada vez mais animados e organizados, eles têm suas próprias músicas, alas e camisetas, que a cada ano ficam mais estilosas! Há ainda outros blocos e bandas que continuam fazendo história no Carnaval Carioca, como o Cacique de Ramos, Bafo da Onça e Banda de Ipanema. Ufa, haja fôlego!!!

Carnaval Carioca
Banda de Ipanema
Carnaval Carioca
Suvaco do Cristo

Estamos no Guinness!

Anfitriã da festa mais popular, democrática e famosa do Brasil, a Cidade do Rio de Janeiro figura no Guinness Book, o Livro dos Recordes, por realizar o maior Carnaval do mundo! Essa celebração também tem enorme destaque nas mídias, com transmissões exclusivas e robustos patrocinadores. E cada vez mais, as diversas camadas da população, diferentemente do passado, hoje em dia celebram os muito mais 3 dias de folia, juntas e misturadas, na melhor alegria, esquindô, esquindô!!! E viva o Carnaval Carioca!

Pedra do Sal e o samba de raiz

A Pedra do Sal, localizada no Bairro da Saúde, faz parte de uma região historicamente conhecida como “Pequena África”. Antigamente, nas festas nas casas dos escravos tocava-se o choro com flauta, cavaquinho e violão. No quintal acontecia o samba rural, batido na palma da mão. Foi ali que nasceu o Samba Carioca, onde surgiram os grandes sambistas populares e os antigos ranchos carnavalescos.

Carnaval Carioca

Local sagrado

A Pedra do Sal era considerada também um local sagrado para despachos e oferendas das religiões africanas. No século 19, os escravos extraíam cortes de pedra para a construção das ruas e do Porto do Rio de Janeiro. Pela proximidade com o mar, o lugar servia ainda como ponto de embarque e desembarque de sal, utilizado para a fabricação de couro e conservação de carnes. Lá também foi um ponto de troca e venda dos escravos trazidos para a cidade, de navio.

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Mercado de escravos
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Percurso histórico

Os grandes sambistas

Na segunda metade do século 20, os estivadores passaram a se reunir lá para cantar e dançar. Era lá também que aconteciam os ensaios dos ranchos e afoxés, dando início às primeiras rodas de samba. Após a abertura da Av. Presidente Vargas, vários sambistas começaram a se reunir ali, tais como Donga, Ataulfo Alves, Pixinguinha, João da Baiana, Ismael Silva e Alfredinho do Flautin.

 Carnaval Carioca
Da esquerda para a direita a nata do samba: Donga, Ataufo Alves, Pixinguinha, João da Baiana, Ismael Silva, Alfredinho do Flautim
 Carnaval Carioca
Sambista além de poeta, é simpático e elegante! Pixinguinha, João da Bahiana e Donga!

A Tia Ciata

Uma das figuras mais marcantes da gênese do samba é Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida – Salvador, 1854 / Rio de Janeiro, 1924), que foi tão importante para este gênero musical, quanto Nara Leão o foi para a Bossa-Nova! Cozinheira, mãe de santo e muito hospitaleira, Ciata recebia em sua casa, com alegria e boa música, compositores e sambistas de primeira linha. A fantasia e o rodopio que as baianas exibem hoje são uma forma de celebrá-la, e assim nasceu uma das alas mais bonitas e tradicionais dos desfiles das escolas de samba!

 Carnaval Carioca
Tia Ciata jovem

Samba: origem da palavra

Por que “samba”? A palavra é uma derivação de “semba”, que significa “umbigada”, em países como Angola. Era assim que acontecia: os dançarinos se reuniam em roda, um deles ia para o meio, escolhia outro dançarino e encostava seu umbigo no dele, e este então ia para o centro, e assim sucessivamente! Deve ter sido daí, também, a origem da expressão roda de samba…

 Carnaval Carioca - Pedra do Sal
Ê baiana, êêê baiaaaana, baianinha!!!
 Carnaval Carioca
Unidos da Tijuca, 2009

Dia da Consciência Negra

Em 20 de novembro de 1984, “Dia da Consciência Negra”, o lugar foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Todo dia 2 de dezembro, “Dia Nacional do Samba”, integrantes do “Quilombo da Pedra do Sal” celebram a lavagem da pedra. Quem põe a mão na massa são os grupos de candomblé e membros do Bloco Carnavalesco Afoxé Filhos de Gandhi. Há rodas de samba, de capoeira, culinária temática, exibição de filmes e palestras. Programão!

 Carnaval Carioca

Toda segunda-feira

Cada vez mais os amantes do chamado “Samba de Raiz” vão lá direto do trabalho, outros tantos se deslocam para o Centro especialmente para as animadas rodas de samba, que atraem muitos cariocas e turistas. O repertório vai das novas composições aos grande clássicos dos velhos e bons tempos! O local fica bem cheio, principalmente às segundas e sextas-feiras. Hoje em dia há apresentações de sambistas profissionais e amadores, que fazem uma das melhores rodas de samba da cidade!

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As animadas e populares rodas de samba!
 Carnaval Carioca - Pedra do Sal
Sempre lotado, faça chuva ou faça sol…só que não, com chuva não rola!

É um programa tipicamente carioca, que conta com boa música ao ar livre, cerveja gelada e barata e um ambiente casual e democrático. Além de tudo, é gratuito, então já vale a visita! Fica bem perto da Praça Mauá e do Cais do Porto, no Largo João da Baiana, no final da Rua Argemiro Bulcão. Mas atenção: como o local é aberto e apenas os músicos ficam sob a lona, o evento não acontece sob chuva forte!

“Hoje em dia é fácil dizer
Que essa música é nossa raiz
Tá chovendo de gente
que fala de samba e não sabe o que diz”

RESPEITE A RODA DE SAMBA DA PEDRA DO SAL!

Carnaval Carioca: a Gay-friendly Party!

O Rio de Janeiro já é conhecido por ser um lugar descontraído e democrático, abraçando a todos com a mesma hospitalidade e simpatia! Em que outro lugar do planeta, ricos e pobres, negros e brancos, judeus e árabes, favelados e “mauricinhos”, gays e heteros conviveriam em (quase) total harmonia?

A cidade também é mundialmente conhecida por ser um destino gay-friendly, ou seja, o povo GLS é sempre muito bem-vindo! E qual não seria a melhor ocasião dessa gente bronzeada, alegre e divertida mostrar o seu valor, senão no Carnaval Carioca??? Então venham, porque alegria não tem cor, raça, sexo ou religião!

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Desde D. João Charuto, esquindô, esquindô, oba!!! (baianas-1946 O GLOBO)
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Que meda! Aponta essa arma pra lá!

Curiosidades

Carmen Miranda: a Pequena Notável

Muito da fama e popularidade do Carnaval, principalmente na mídia estrangeira, se deve à Carmen Miranda, a “Pequena Notável”! Esta artista luso-brasileira estourou em apenas 6 meses com a música “Taí”, lançada em 1930, quando vendeu 36 mil cópias. No ano seguinte ela fez a sua primeira turnê internacional e, em 1939, apareceu pela primeira vez vestida de baiana na comédia musical “Banana da Terra”, filme que a lançou internacionalmente.

Carnaval Carioca

Em 1940 Carmen fez a sua estreia no cinema americano com o filme “Serenata Tropical”, mais uma vez com suas roupas exóticas e seu sotaque latino, suas marcas registradas. No mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular nos Estados Unidos e foi convidada para se apresentar junto com seu grupo, o Bando da Lua, para o presidente Franklin Roosevelt, na Casa Branca!

Entre 1940 e 1953, Carmen fez catorze filmes nos EUA e foi a primeira artista latino-americana a ser convidada a imprimir suas mãos e pés no pátio do Grauman’s Chinese Theatre, em 1941. Ela também se tornou a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama!

Em 1972 a Pequena Notável foi tema da Escola de Samba Império Serrano, que ganhou o desfile com o belo samba-enredo Alô, Alô, Taí Carmen Miranda! Homenagem mais do que merecida!

Zé Carioca

Foi outro que ajudou a difundir o Carnaval entre os gringos! Este personagem foi criado por Walt Disney no começo da década de 1940, e foi retratado como o típico malandro carioca, sempre escapando dos problemas com um “jeitinho” peculiar… Sua primeira aparição foi no filme “Alô Amigos”, com o rabugento Pato Donald.

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José do Patrocínio e Walt Disney brincam com bonecos do Zé Carioca e do Pato Donald

Walt Disney criou o Zé Carioca durante a sua visita ao Brasil, inspirado pelo povo e pelo samba. O personagem é divertido, festeiro, vagabundo e preguiçoso (!!!). Apesar de ter participado do filme Uma Cilada para Roger Rabbit, em 1988, o papagaio não empolgou mais os americanos, e passou a ter aparições esporádicas. No Brasil ele sobreviveu com galhardia por várias décadas, tendo seu auge entre os anos 70 e 90. Ainda é publicado por aqui, e em novembro de 2012 esse personagem convencido e falastrão fez 70 anos!

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Eu, particularmente, acho esse Zé Carioca um Zé Mané, além de ser extremamente estereotipado! Entre uma baiana portuguesa-americana e um papagaio cafajeste e canastrão, sou mais João Gilberto e Tom Jobim! Questão de gosto e princípios, fazer o quê…

As musas do Carnaval Carioca

No Carnaval Contemporâneo, mais precisamente a partir de 1987, com o grande advento “Luma de Oliveira”, nada mais foi como antes! À cabrocha não bastava mais “somente” ter samba no pé, não, ela agora tinha que ser ma-ra-vi-lho-sa, escultural, uma deusa e fazer topless! Branca, negra, loura, ruiva ou mulata, tanto fazia, contanto que fosse de fechar a Passarela do Samba!

Na época foi um escândalo para uns, e uma dádiva de Baco, para outros! Aí, como tudo que acontece demais, após alguns anos banalizou-se…sim, peitos e bundas demais também enjoam!!! Não sou eu que digo, mas a Velha Guarda da Portela, da Mangueira, da Mocidade…

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Luma de Oliveira em 3 versões: a recatada, a encoleirada e a desinibida!

Mas não teve jeito, uma vez pelada, sempre pelada, só que agora turbinadas por próteses nos peitos e bundas (eles de novo!), lipoaspiradas, anabolizadas e saradíssimas! E aí inventaram o tapa-sexo, um artefato de módicos 3,5cm de tamanho, outro escâncalo, e logo depois surgiu um outro advento chamado “Viviane Araújo”, musa sarada, turbinada, siliconada, mas com muuuuuito samba no pé!

Carnaval Carioca
Cadê o tapa-sexo??? Peitos tipo bola de boliche?
Carnaval Carioca
Viviane Araújo, agora linda e loura, muito mais bela na fase pós-Belo!

As rainhas de bateria

E aí veio a fase das chamadas “rainhas da bateria”, uma categoria que não sei explicar direito, porque não precisa mais saber sambar muito bem, muitas vezes basta “apenas” ter corpão, peitão, bundão, coxão, bocão, carão e alguma atitude…A fantasia ajuda…Ser “celebridade” de Quem/Caras também ajuda…Estar na novela da hora, ô! Inveja, eu? Sinceramente, não! Mas quem manda ser do século passado?

Agora, fala pra mim com toda a sinceridade: não parece que saíram da mesma forma? Só muda a cor das penas, ops, plumas! E essa moda do Carnaval carioca foi exportada pelo Brasil afora…

Carnaval Carioca

Joãozinho Trinta, para sempre nota 10! 

João Clemente Jorge Trinta, ou simplesmente Joãozinho Trinta, nasceu em São Luís, em 23 de novembro de 1933. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951, onde fez dança clássica no Teatro Municipal. Com sua inteligência e criatividade, foi uma das figuras mais marcantes e emblemáticas do Carnaval Carioca! Quem não se lembra da sua famosa frase “Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta mesmo é de luxo”?

Essa afirmação foi feita por ele depois de ter sido execrado publicamente pelos “excessos” nas fantasias e alegorias da sua escola, a Beija-Flor de Nilópolis. O “luxo”, que os intelectuais não entenderam, nada mais era do que criatividade em forma de arte. O carnavalesco usava sobras de isopor em esculturas que pareciam de marfim, quando literalmente transformava o lixo em luxo, como o seu toque de “Midas do Carnaval”!

Com sua visão revolucionária e seu aguçado senso estético no que se referia ao Carnaval, dizia que “ninguém tinha o direito de dizer não ao absurdo”. E ele, mais do que nenhum outro, disse SIM!!! SIM ao novo, ao belo, ao sonho, ao impossível!

Joãozinho começou a sua carreira de carnavalesco no Salgueiro, como assistente de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Eles foram campeões em 1965, 1969 e 1971. Em 1974 iniciou sua carreira solo e faturou o título daquele ano pelo Salgueiro, e também no ano seguinte! Após problemas com a diretoria dessa escola de samba, seguiu para a Beija-Flor, onde teve uma carreira de sucesso e de títulos, com o parceiro figurinista, Viriato Ferreira. E brilhou por anos no Carnaval Carioca”

Carnaval Carioca
Beija-Flor, 1976

Com ousadia e enredos luxuosos, Joãozinho Trinta passou a ser chamado de “gênio” e reinou absoluto no Carnaval Carioca, conquistando os títulos de 1976, 1977, 1978, 1980 e 1983. Ele ainda teve destaque com dois trabalhos carnavalescos que ficaram com a segunda colocação, em 1986 e em 1989.

Carnaval Carioca
Beija-Flor, 1983

O Carnaval de 1989 foi premiado com a sua obra-prima Ratos e urubus, larguem a minha fantasia, desfile que criou uma enorme polêmica com a Igreja Católica, por ele ter colocado na Sapucaí um carro alegórico com o Cristo Redentor vestido como mendigo. A imagem foi censurada mas, sem perder o bom humor e a irreverência, Joãozinho Trinta criativamente cobriu o Cristo com um plástico preto e colocou a inscrição: “Mesmo proibido, olhai por nós”! Arrasou!

A Beija-Flor foi a vice-campeã, mas o desfile é lembrado até hoje como um dos mais marcantes da história carnavalesca! Ao final da apresentação, seguindo o “Cristo Censurado”, garis de verdade sambaram e celebraram juntamente com Joãozinho, que estava vestido de gari! Foi mágico e apoteótico!

Carnaval Carioca
Desfile histórico!
Carnaval Carioca
Joãozinho Trinta no desfile de 1989, vestido de gari

Depois o carnavalesco foi para Escola de Samba Viradouro, onde ficou de 1994 a 2000 e ganhou o desfile de 1997. Em 2004 a Acadêmicos da Rocinha homenageou o carnavalesco e ficou em terceiro lugar no Grupo de Acesso, com o enredo “O mago do novo, João do povo”. Joãozinho teve vários problemas de saúde ao longo da sua carreira, que se encerrou em 2005, na Escola de Samba Vila Isabel. De 2006 em diante, passou a atuar apenas como consultor durante os preparativos para o Carnaval Carioca.

Em 2010, Joãozinho Trinta foi homenageado no enredo da Grande Rio, que falou sobre os seus 25 anos de Sapucaí! A agremiação levou para a avenida uma alegoria em alusão ao enredo “Ratos e urubus larguem a minha fantasia” e a bateria estava com alegres fantasias de gari! Ele desfilou em frente ao carro alegórico, representando o que ele sempre foi: o “Rei da Folia”.

Carnaval Carioca
A bela Paola Oliveira e a bateria de garis!

Em 2011, antes de falecer, ele se casou com sua enfermeira, moça pobre e humilde, que tinha o sonho de ser médica. Assim, ele carinhosamente possibilitou que a moça se tornasse uma profissional que ajudaria aos outros, assim como ela o tinha ajudado nos seus últimos anos de vida. Magia também na vida real! Mais um lindo “enredo” do Carnaval Carioca!

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Em 2014 foi lançado o filme “Trinta”, em homenagem a esse genial carnavelesco! O ator escolhido para viver este apaixonante personagem da vida real foi Matheus Nachtergaele. Não poderia ter sido uma escolha melhor! Pois é, quem passou boa parte da vida criando enredos tão brilhantes e inesquecíveis, só poderia mesmo acabar virando um enredo também!

Carnaval Carioca
Não podia ter ator melhor!

Quando o Brasil teve 2 Carnavais no mesmo ano!

Em 1912, uma semana antes do Carnaval, o país foi tomado por uma comoção por causa do falecimento do Barão do Rio Branco. O governo, então, resolveu adiar o Carnaval para abril. Alegou, como diria o “Financial Times”, que não havia clima para festa. Resultado, o povo comemorou em dose dupla: no dia oficial e também no dia marcado pelo governo!

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Aliás, atribui-se ao Barão a frase “Existem no Brasil apenas duas coisa realmente organizadas: a desordem e o Carnaval”! (Ancelmo Gois, 17/01/2016)

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Links Úteis

Compra de Ingressos

Preços dos ingressos

Cronograma dos blocos/2016

Letras dos sambas/2016

Ensaios Técnicos no Sambódromo

Sábado, 23/01
19h – Acadêmicos do Cubango
20h – Império Serrano
21h30 – Unidos de Padre Miguel

Domingo, 24/01
19h – Viradouro
20h – Grande Rio
21h30 – Salgueiro

Sábado, 30/01
19h – São Clemente
20h – Imperatriz

Domingo, 31/01
21h30 – Beija-Flor

Como chegar:
Metrô: descer na estação Praça Onze.

Carnaval Carioca: desfile do Grupo Especial – 07/02/2016

Grêmio Recreativo Estácio de Sá

União da Ilha do Governador

Beija-Flor de Nilópolis

Acadêmicos da Grande Rio

Mocidade Independente de Padre Miguel

Unidos da Tijuca

Carnaval Carioca: desfile do Grupo Especial – 08/02/2016

Unidos de Vila Isabel

Acadêmicos do Salgueiro

São Clemente

Portela

Imperatriz Leopoldinense

Estação Primeira de Mangueira

sal 6

 

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