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O Rio 2016 o legado e os negócios foi um fórum que aconteceu no dia 24/11/2015, organizado pela revista Exame. Ele aconteceu no Hotel Sofitel, no Rio de Janeiro e teve como palestrantes: o Prefeito do Rio e Janeiro, Eduardo Paes; o Ministro do Turismo, Henrique Alves; o consultor Thomaz Assumpção, presidente da Urban System, empresa de estudos de lógica urbana; o consultor e auditor da Ernest & Young, José Carlos Costa Pinto, especialista em mega eventos; o arquiteto e Professor Adjunto da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vinicius M. Netto; e o publicitário Nizan Guanaes. Dentro da programação Rio 2016: muito além de um evento esportivo foram discutidos os seguintes tópicos:

Rio às vésperas da Olimpíada: o que ainda falta fazer e qual será o principal legado dos Jogos

Segundo informações vindas diretamente do Prefeito Eduardo Paes, até novembro de 2015 93% das obras para as Olimpíadas já estavam prontas. Ele também garantiu que os 7% restantes serão entregues antes de agosto de 2016 (veja os gráficos abaixo). Assim esperamos!

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Barcelona, um modelo a ser copiado

Seguindo os passos do vitorioso case de Barcelona, as várias Parcerias Público-Privadas (PPPs) firmadas para a realização do evento no Brasil estão garantindo o cumprimento do cronograma orçamentário e, principalmente, propiciando um controle mais transparente dos gastos públicos, conforme pode ser visto no gráfico abaixo:

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As estatísticas comparativas

Também foi mostrada, em números comparativos, a abissal diferença que existe entre organizar uma Copa do Mundo, como a de 2014, e como está sendo organizar as Olimpíadas de 2016.  O gráfico fala por si, mas vale destacar: o número de nações, com apenas 32 na Copa x 206 nas Olimpíadas; o número de atletas, 736 x 15 mil; e o número de competições na cidade, 7 x 665!

Para dar conta de um evento de tamanha magnitude, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Prefeitura do Rio de Janeiro buscaram exemplos de sucesso nas edições passadas, procurando adequá-los ao contexto e às necessidades da nossa cidade.

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Lições de Barcelona: a cidade que se reinventou após os Jogos Olímpicos

Em 1985, quando foi escolhida para sediar as Olimpíadas de 1992, Barcelona estava num período de abandono e degradação, principalmente na sua área portuária. Porém, o impacto dos Jogos mudou radicalmente este panorama e uma nova e moderna cidade começou a ressurgir desde então, para a Europa e para o mundo!

O projeto de reurbanização

Isto foi possível graças ao excelente projeto de revitalização urbana da cidade, que atacou duas frentes principais, responsáveis pelo bem sucedido e contínuo legado pós-olímpico: 1) a despoluição das águas, contaminadas após 200 anos de exploração industrial; 2) a renovação da zona portuária, com a total reurbanização da orla e a construção da Vila Olímpica, que após o evento seria convertida numa nova área residencial e de lazer.

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Zona Portuária de Barcelona
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Isso não te lembra outro lugar?

As prioridades

Com essas duas prioridades bem definidas, um Plano de Urbanização Especial foi conjuntamente projetado por quatro arquitetos e aprovado em 1986. Assim, 1/3 do orçamento foi gasto com instalações esportivas e 2/3 foram gastos em melhorias urbanas, visando o bem-estar da população e o subsequente incremento no turismo.

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Antes das Olimpíadas e as obras que foram feitas para as OlimpíadasIdeiA Zona Portuária

Ideias para a Zona Portuária

Na zona portuária o propósito era criar um complexo hoteleiro de nível internacional, que transformasse a cidade numa das principais metrópoles turísticas da Europa Ocidental. Assim, em 1988 começou a demolição dos velhos restaurantes à beira-mar, conhecidos como “xiringuitos” e também das outras construções insalubres e ultrapassadas, que ainda por cima bloqueavam o acesso e a vista para o mar, como mostra a foto abaixo:

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A região portuária, que fica no leste de Barcelona, era feia, suja e pobre. Hoje há fila de espera para alugar ou comprar um dos mais de 2.000 apartamentos da vila.

Os espaços de convivência

Barcelona, então, começou a se transformar numa cidade com grandes áreas livres e verdes, parques públicos e várias opções de lazer. Ela também foi amplamente aberta para o mar e teve 5.2 quilômetros de praias totalmente saneadas e recuperadas para o uso público! Veja a inacreditável transformação nas fotos abaixo:

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A nova orla

A grandiosa obra de revitalização contou ainda com a construção de calçadões, avenidas, hoteis, prédios comerciais, lojas, boates, além de investimentos maciços em serviços e segurança pública. Os apartamentos de padrão classe-média foram vendidos pelo governo a preço de custo, como um incentivo para que as famílias voltassem a habitar essa região outrora degradada.

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Calçadão à beira-mar na Barceloneta
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A Vila Olímpica
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Vila Olímpica

O incremento nos transportes

O transporte também foi bastante incrementado e hoje em dia Barcelona conta com 165 km de linhas de metrô e 125 estações. O aeroporto foi ampliado e totalmente modernizado, permitindo um maior fluxo de pousos e decolagens, aumentando consideravelmente o número de turistas que passaram a visitar a cidade.

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O surgimento da Barceloneta

Essa novíssima área portuária foi rebatizada de Barceloneta, que atualmente recebe, sozinha, mais de 4 milhões de turistas por ano! A cidade como um todo virou um sinônimo de sucesso e uma referência a ser seguida, pela variedade de bons hotéis e atrações turísticas e culturais que oferece. Hoje, o Porto Olímpico e suas adjacências dispõem de:

– 5 praias (Saint Michel, Barceloneta, Icaria Nova, Bogotell e Mar Bella)
– 10 instalações esportivas, entre estádios e quadras para várias modalidades
– 1 marina moderna, que conta com vários serviços náuticos
– 1 porto para atracação de transatlânticos
– Boates, lojas, restaurantes e serviços
– 1 grande parque urbano
– 1 jardim zoológico
– 1 museu
– 1 aquário

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A nova Barcelona

Hoje, 23 anos após os Jogos, Barcelona está irreconhecível para aqueles que a visitaram antes do projeto olímpico. Além das transformações profundas e radicais em sua trama urbana, a cidade catalã experimentou também uma grande revolução social e demográfica: de cidade degradada e pouco próspera, passou a capital cultural, pólo de vários negócios e destino turístico que tem atraído milhões de visitantes todos os anos!

Barcelona é hoje o terceiro destino de visitantes internacionais na Europa, e os Jogos Olímpicos deram um tremendo impulso nisso.

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Os ganhos imensuráveis

A cidade também ganhou muito em quesitos difíceis de medir, tais como influência, diversidade e charme. Claro que a realização das Olimpíadas não foi a única razão responsável pelo enriquecimento e modernização da cidade, mas ninguém pode negar que esse foi o pontapé inicial para a inacreditável reinvenção da cidade. Este caso, sem dúvida alguma, destaca positivamente a experiência de Barcelona em qualquer discussão sobre o verdadeiro propósito dos jogos e o poder transformador do legado pós-olímpico.

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O grande legado

E toda essa transformação só foi possível graças às bem sucedidas Parcerias Público-Privadas, quando Barcelona enfrentou o desafio de ter uma região portuária muito próxima do centro histórico. O projeto olímpico conseguiu restabelecer a relação entre as duas áreas, valorizando os espaços públicos e os prédios históricos da cidade, interligando-os de maneira ágil, moderna e eficiente! É justamente nessa prerrogativa que o projeto carioca tem fincado as suas bases!

Até hoje, esta iniciativa de Barcelona é considerada extremamente arrojada e muito inspiradora para diversas cidades do mundo, principalmente o Rio de Janeiro. Há inúmeras semelhanças entre o projeto catalão e o carioca, sendo as duas principais: a reurbanização da zona portuária e o aumento e diversificação da malha viária.

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A nossa Zona Portuária

Aqui no Rio, a derrubada do Elevado da Perimetral, tão polêmica e criticada por aqueles que, como eu, não tinham uma visão mais abrangente e/ou um conhecimento aprofundado do verdadeiro legado olímpico que se pretende deixar para a cidade, provou que era realmente um divisor de águas entre a estagnação e a reurbanização.

Um Rio mais humano

Porque o verdadeiro legado tem como meta principal criar uma cidade mais urbana e mais humana, em constante evolução, e também contribuir para melhorias na qualidade de vida da sua população! Este será o nosso maior desafio!

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O Rio de Janeiro depois dos Jogos de 2016

Obras

O Porto Maravilha, mesmo não estando diretamente ligado às instalações olímpicas propriamente ditas, segue os vitoriosos passos de Barcelona! A obra começou em 2010 e é a maior PPP do país, envolvendo recursos da ordem de R$ 8 bilhões! A revitalização dessa zona portuária também devolveu o mar à paisagem, reintegrou a cidade à Baía de Guanabara e redescobriu uma parte histórica que estava deteriorada, e que agora está repleta de novos atrativos!

Além do Museu de arte Moderna e do Museu do Amanhã, este último com inauguração prevista para o dia 19/12/2015, uma nova pista de 3,5 km margeando a Baía de Guanabara será entregue em breve à população! Várias outras obras também estão a caminho, como o AquaRio, os VLTs, a reurbanização da área dos armazéns, ciclovias, Via Binário e as novas linhas do metrô.

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Nesse grandioso projeto, assim como aconteceu na cidade catalã, pretende-se aumentar o número de moradores e de serviços na área. A meta é passar das 23 mil pessoas (em 2009), para 100 mil até 2021! Vários e interessantes projetos começam a sair do papel, apostando numa guinada em termos de moradia e de serviços, transformando o Rio de Janeiro numa cidade do Terceiro Milênio!

Dos 11,5 bilhões de reais investidos nas Olimpíadas, apenas 1,85 bilhões foram destinados para as obras específicas dos jogos. O restante está sendo aplicados em melhorias que permanecerão na cidade como um legado.

Abaixo está a maquete de um ambicioso e inovador empreendimento no Porto Maravilha, com apartamentos, escritórios, consultórios, hotéis, bancos, restaurantes, cinemas e shopping (juro que não estou ganhando nada com isso, mas até poderia 🙂

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Porque além das necessárias obras de infra-estrutura, o Rio, com a sua histórica vocação turística, e sendo a porta de entrada dos estrangeiros no país, também precisa de novos e impactantes atrativos, bons hotéis, transportes interligados e segurança, para aumentar consideravelmente o número de turistas, que hoje em dia é pífio!

A marca Rio: como manter o brilho aos olhos do mundo após os Jogos de 2016

Para aumentar significativamente o número de turistas, a cidade precisa, antes de tudo, aprender a vender a “Marca Rio” melhor e a vencer a sua baixa auto-estima! Como bem disse Nizan Guanaes, no fechamento do Fórum, o brasileiro de uma maneira geral sofre do terrível “complexo de vira-lata”!

Este “diagnóstico” foi dado pelo famoso escritor Nélson Rodrigues, quando se referiu ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando o Brasil foi derrotado pelo Uruguai na final da Copa do Mundo, em pleno Maracanã. O país só saiu do estado de choque em 1958, ao ganhar a Copa do Mundo pela primeira vez! Para o escritor, esse “sintoma” não se restringia apenas ao campo futebolístico:

“Por complexo de vira-lata entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima”.

Outro bom exemplo dado por Nizan vem do falecido economista e diplomata, Roberto Campos, que profetizou que “o Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade”! Campos bem que tentou mostrar que a nossa pobreza “não pode ser vista como uma imposição da fatalidade”, mas sim como o resultado de um “mau gerenciamento e negligência na formação de capital humano”…mas a ideia persiste até hoje!

Enfim, para o publicitário “temos que participar mais dos grandes fóruns mundiais”, “sonhar grande”, “os olhos têm que viajar” sem “ter medo do mundo”. Porque com uma cidade linda como o Rio de Janeiro, com gente simpática e hospitaleira, está mais do que na hora de mudar de discurso e de atitude! E isso serve para todo o território nacional!

Como aproveitar os Jogos Rio 2016 para impulsionar o turismo e o esporte no Brasil

Especialista em marketing de grandes eventos esportivos, com atuação em Londres e agora nos jogos do Rio, o inglês Mike Lee diz que não há um modelo a ser copiado!  “O Rio não deve copiar ninguém. O Rio deve ser o Rio”, afirmou. Então, a pergunta que não quer calar:

O Rio sendo o Rio pode fazer um evento tão bom quanto o de Barcelona?

Lee: “Talvez até melhor. O Rio pode superar Barcelona. Se você olha para Barcelona em relação à Espanha, percebe que a cidade não se vê muito como Espanha, a Catalunha é uma região à parte. Por isso penso que o Rio pode ser até melhor em relação à transformação e ao potencial para a economia do Brasil, porque o Rio representa o Brasil. Então foi ótimo para Barcelona, mas não tenho certeza se teve tanto impacto para a Espanha, como as Olimpíadas do Rio podem ter para o Brasil, em desenvolvimento esportivo e em imagem internacional” (leia a entrevista na íntegra em Veja.com)

Porém, os investimentos no turismo brasileiro devem ser incrementados, pois os dados são constrangedores: o Brasil recebeu apenas 6,4 milhões de turistas em 2014, que gastaram US$ 6.710,00!  Neste mesmo ano, só a Torre Eiffel recebeu 6 milhões de turistas. Tem alguma coisa errada…

Leia na próxima semana a conclusão do Fórum: acertos, erros e propostas!

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