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Ficar em Split, vale a pena!

Sim, esta bonita cidade, banhada pelo Mar Adriático, contrariou a fama de ser apenas o ponto de partida para as famosas ilhas da “Costa da Dalmácia”, como Brac, Havr, Korkula e Vis. Fiquei lá três dias inteiros e não me arrependi, pois amei o lugar! E não tinha como ser diferente, pois Split ainda tem o interessante Palácio de Diocleciano, atração histórica tombada pela UNESCO, em 1979. Então, só por isso já vale uma visita. Mas tem mais!

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Vista da bonita orla de Split, chamada Riva

Muito mais do que o caminho para as ilhas

O Centro Histórico (Stari Grad) da cidade faz jus às belas fotos que vi, além de estar perto de dois passeios “bate-e-volta” que eu queria fazer: um para Zlatni Rat, “a praia mais bonita do mundo”, segundo os croatas, e o outro para Trogir, a simpática cidade a apenas 20 Km de distância, e também mais um cenário medieval da série Game of Thrones! Tudo perfeito!

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Zlatni Rat / Golden Horn / Chifre de Ouro, a praia mais bonita do mundo, segundo os croatas!

Split e o seu Palácio Patrimônio da Humanidade

Nos hospedamos a 400 metros da simpática Riva, o calçadão de mármore reluzente da orla, onde fica o Palácio de Diocleciano, o sanguinário imperador romano nascido na Croácia, em 244 DC. Durante o seu governo, os cristãos foram cruelmente perseguidos e/ou assassinados, e os que sobreviviam, eram obrigados a abandonar a sua religião. Por 220 anos os dálmatas resistiram ao assédio do Império Romano, até que finalmente foram vencidos e a Dalmácia tornou-se uma das suas mais famosas províncias!

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Diocleciano, o amado e odiado imperador romano

O imperador que se achava Deus

Por causa do ódio que os cristãos sentiam por Diocleciano, o seu palácio foi erguido como uma verdadeira fortaleza, toda murada e com portões estratégicos nos quatro cantos (figura abaixo). Uma rua central separava o complexo em duas alas: na sul, de frente para o mar, ficava o imperador e sua família; na norte, composta por dois blocos residenciais, ficavam os trabalhadores e os soldados. No centro das instalações ainda se vê templos religiosos e as casas dos nobres, voltadas para o mar.

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Como era o palácio/fortaleza na época da construção

Split e o Palácio hoje

A foto abaixo, que é atual, dá bem a dimensão da enorme área retangular ocupada pelo antigo complexo do palácio, que tinha até um aqueduto, para o abastecer os inúmeros cômodos e as termas, outra mania dos imperadores romanos! Esse antigo aqueduto ainda hoje abastece parte da população, de aproximadamente 190 mil pessoas, e pode ser visto na parte norte do palácio, nos arredores do Portão de Ouro.

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Vista aérea do local do antigo palácio
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Detalhe do aqueduto

Split e o Palácio na época áurea

O palácio foi construído entre 295 e 305 DC numa área de 38 mil m² e foi luxuosamente decorado com colunas trazidas do Egito. O imperador Diocleciano tinha fixação por esse país e pela sua história, então 18 esfinges também adornavam o lugar. Uma dessas esfinges, que fica ao lado da catedral, perto da entrada, ainda está em ótimo estado de conservação.

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Uma das 18 esfinges egípcias
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O leão veneziano, símbolo italiano de poder e dominação

O centro de tudo

No Peristilo, que era a praça central interna do palácio, e a principal entrada da cidade, na época, estão as construções mais antigas, como o Templo de Júpiter e o mausoléu de Diocleciano. O mausoléu foi anexado à Catedral de São Domnius (Katedrala Svetog Duje) que, ironicamente, foi um dos cristãos perseguidos pelo imperador! Essa catedral é uma das mais antiga do mundo e São Domnius é o padroeiro de Split.  Há um tourist information  no Peristilo.

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O Peristilo

Onde tudo acontecia

Nesta praça, o megalômano Diocleciano recebia os visitantes bajuladores, que se ajoelhavam aos seus pés para beijar o seu manto! Hoje em dia, trupes de teatro recriam o clima de época, com performances divertidas que rendem ótimas selfies! Claro que na época isso não tinha a mínima graça, pois os soldados eram truculentos e impiedosos, seguindo as ordens do imperador!

Beije meu manto, camponês! (Imperador Diocleciano)

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Os “guardas romanos” em frente ao Portão de Ouro
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Show da “guarda romana”

O Imperador e o templo em sua homenagem

O mausoléu, onde estavam os restos mortais de Diocleciano, antes de terem sido jogados ao mar, era antes o seu próprio templo, pois ele se considerava o filho de Júpiter! Aliás, a grande maioria dos imperadores romanos se achava acima do bem e do mal, não muito diferente de vários políticos, através da História, e até hoje!

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Antigo mausoléu de Diocleciano com a Torre do Sino à esquerda
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O Peristilo com a Catedral de São Domnius à esquerda e a Torre do Sino atrás dela
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Interior da Catedral de São Domnius

A Torre que tudo via

No Peristilo, junto à catedral, fica a Torre do Sino, com seus 57 metros de altura e um mirante incrível lááááá em cima. Do topo se tem uma visão panorâmica da cidade, com a muralha e o aqueduto do antigo palácio, o mar, o mirante Marjan de um lado,  e o porto do outro, com transatlânticos e ferryboats chegando e partindo. A subida vale muito a pena, até porque a escadaria é ampla e bem arejada.

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Vista para o porto e para a muralha do palácio
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Vista para a cidade e o mirante Marjan, ao fundo
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Um zoom no Vestíbulo

Que se faça a luz!

A cúpula aberta do Vestíbulo (foto logo acima e as 3 fotos abaixo) é outro remanescente incrível do Palácio de Diocleciano. Na época, era lá que as pessoas aguardavam para serem recebidas pelo imperador. Diz a lenda que essa abertura era proposital, pois por ali passava a luz natural que refletia a cor púrpura dos trajes do imperador. Assim, as suas aparições públicas mostravam todo o brilho do seu poder. E ele, que já se achava um ser divino, delirava ao ser reverenciado pelos seus súditos!

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E faça-se a luz! Dourada, por favor!

O declínio de Split e do seu imponente palácio

Nos anos 90, o local era frequentado por prostitutas e usuários de drogas. Hoje em dia, pela sua excelente acústica, felizmente o lugar é usado por cantores locais. Eles se vestem a caráter e entoam lindamente, à capela, a típica música da Dalmácia chamada kapla. Este canto, nascido no século XIX, celebra o amor, o vinho, a pátria, o mar…enfim, as coisas boas da vida!

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Lugar interessante, com ótima acústica
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Os cantores dálmatas

Os porões

Outro espaço sinistro e interessante ao mesmo tempo são os porões do palácio, que eram usados para armazenar mantimentos durante a época de Diocleciano. Com o passar dos séculos, o local virou um grande depósito de lixo, porque tinha buracos no teto que se conectavam diretamente com as casas. Os dejetos preencheram o local e, curiosamente, foi esse lixo petrificado que preservou tão bem essa impressionante estrutura, que hoje pode ser visitada.

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Parte dos porões como são na realidade

Então, os arqueólogos conseguiram limpar e deixar os porões do jeito que eles eram na época do imperador! Por sua arquitetura peculiar e bem conservada, Split também entrou na saga de “Game of Thrones”, que teve cenas da 4ª temporada filmadas exatamente nesses porões, lugar onde os dragões eram mantidos!

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Cena de Game of Thrones nos porões do palácio

Pra turista ver!

A enorme área dos subterrâneos do palácio tinha 55 salas e hoje em dia há uma parte específica com uma feirinha tipicamente turística, com estandes repletos de souvenires, artesanatos locais, cartões-postais, joias, camisetas, etc. A iluminação especial tira o ar misterioso e sombrio do local e também ajuda a afugentar os possíveis dragões!

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Os sinistros porões, quem diria, viraram um simpático centrinho de compras!

O palácio-fortaleza

A entrada do lado sul do palácio ficava de frente para o mar, porque assim o imperador podia chegar de navio e ir diretamente para os seus aposentos, pois na época não havia nenhum tipo de calçadão na orla. As muralhas que ainda existem têm extensão de 170 a 200 m e a altura varia entre 15 e 25 m!

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Portão de Ouro com o antigo aqueduto

O mensageiro da fé

Passando pelo Portão de Ouro, do lado de fora do palácio, há a enorme estátua de Gregório de Nin, bispo do século X que deixou de conduzir as missas em latim e passou a usar a língua croata. Ele foi o grande responsável pela difusão da fé católica no país.

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Bispo Gregório de Nin

Esculpido por Ivan Meštrović, em 1929, a estátua além de gigantesca, retrata o bispo de maneira imponente, com expressão sóbria e bisonha, de dedo em riste, em tom de crítica. Dizem que esfregar o dedão do pé da estátua dá sorte! Não custa nada acreditar! E esfregar!

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Faça o seu pedido! Make a wish!

Cada um no seu quadrado

Cada um dos quatro lados da enorme fachada do palácio ainda mantém o seu respectivo portão: Portão de Bronze (mjedna vrata), entrada pela Riva; Portão de Ferro (željezna vrata), entrada pela Praça do Povo; Portão de Ouro (zlatna vrata), entrada pelo antigo aqueduto; Portão de Prata (srebrena vrata) entrada pela Ulica Hrvoja Vukčića Hrvatinića, conforme o mapa abaixo:

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As 4 portas do palácio

O ostracismo

Após a queda do Império Romano, a fúria da invasão cristã deixou sua marca em várias partes do palácio. Um bom exemplo dessa revolta é a esfinge que fica na entrada do Templo de Júpiter, que foi decapitada exatamente como os romanos faziam com os cristãos! Vingança é realmente um prato que se come frio…

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Templo de Júpiter

Por conta do declínio do Império Romano, muitos abandonaram a região e o palácio ficou esquecido por alguns séculos. Finalmente, no século VII, a população local começou a ocupar desordenadamente o enorme terreno, que passou a ser o centro comercial e de convivência da cidade, como ainda é hoje em dia. Lojas e residências foram se incorporando ao palácio, num processo de urbanização orgânica.

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Área do antigo palácio totalmente ocupada por novos estabelecimentos

As mudanças

Atualmente, a fachada está completamente diferente, pois sofreu várias intervenções através dos tempos. Na época do comunismo havia inúmeras famílias instaladas ali, formando um enorme cortiço, um atentado à beleza e à preservação desse belo Patrimônio da Humanidade!

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“Puxadinhos” feitos nas muralhas

Hoje em dia, o resultado estético que se vê não é feio, mas uma outra cidade surgiu dentro dos muros do palácio! Atualmente, aproximadamente 220 prédios abrigam órgãos públicos, museus, hoteis, lojas, restaurantes, moradias e até albergues! Com tantas atividades comerciais, o local continua sendo o coração da cidade, com cerca de 3.000 pessoas vivendo no local, onde outrora existia o imponente palácio!

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O paisagismo exuberante, os toldos coloridos e os bancos convidativos matariam o ditador Diocleciano de ódio!
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O efeito estético da Riva, apesar das muitas intervenções na muralha, é bem bonito
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Outro ângulo da Riva, com o seu belo paisagismo

As praças de Split

Já fora do palácio, saindo pelo Portão de Ferro, fica a Praça do Povo (trg Narodni) que, como o nome já diz, é um lugar amplo e agradável, com cafés e restaurantes sempre cheios e alegres. É lá que moradores e turistas se encontram, para a deliciosa atividade de ver e ser visto! É nesta praça que fica a Câmara Municipal (Gradska vijećnica), uma bela construção do século XV que abriga exposições variadas na alta temporada.

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A alegre Praça do Povo

No final da Riva fica a Praça da República (trg Republike), a maior de Split. Construída no século XIX por um arquiteto veneziano, foi inspirada na Praça de São Marcos, de Veneza. Ela também tem colunas e ampla fachada, porém, o trabalho foi deixado pela metade, com vários entalhes inacabados. Mas isso nunca a impediu de ser o palco de vários comícios políticos, manifestações de toda a natureza, apresentações artísticas e shows de música.

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Praça da República

O mirante

Depois da Praça da República (Trga Repuplike), subindo uma ladeira íngime, por mais ou menos 15 minutos, chega-se ao Marjan, um mirante que oferece uma bela panorâmica de Split. O caminho é tranquilo, com paradas estratégicas para fotos e descanso, ufa! Fomos depois do pôr do sol, horário mais fresco e agradável, e a vista compensou o esforço!

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Split vista do alto do mirante
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Pôr do sol no mirante

A boa mesa italiano-croata

Na descida, jantamos no ótimo restaurante Sperun, que fica próximo à ladeira. A especialidade da casa são os frutos do mar e, como o espaço não é muito grande, é fundamental fazer uma reserva, de preferência nas mesinhas que ficam na calçada, se for verão! Eu comi uma deliciosa lula grelhada e recheada e o meu marido comeu um risoto de frutos do mar, ambos ótimos!

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Lula grelhada
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Risoto de frutos do mar

A bela arquitetura veneziana

Voltando a pé para o hotel, me dei conta de como a cidade se parece com Veneza, e não poderia ser diferente, já que Split foi governada por imperadores romanos, nascidos lá ou não, por 400 anos! Não só a arquitetura, mas também a comida e a atmosfera têm um quê de Mediterrâneo, muito mais do que de Adriático! Nem parece que a região um dia pertenceu à antiga Iugoslávia, que fazia parte da chamada “Cortina de Ferro”, nos áureos tempos do comunismo!

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Split e a clássica arquitetura veneziana

Onde ficar

Ficamos no Luxe, um hotel moderninho perto da beira-mar e também do Centro Histórico, como eu gosto! Esse simpático estabelecimento era uma antiga fábrica, que nos anos 80 pegou fogo. Logo depois o local foi totalmente reformado por um casal croata, em 2008. Hoje conta com quartos confortáveis e estilosos.

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O quarto com “vitrine” para o banheiro: moda na Europa

O hotel, além de ter uma ótima localização, perto do Palácio de Diocleciano e da Riva, conta também com um bom staff e um ótimo café da manhã. E duas raridades, como bônus: a garagem e a proximidade do porto, onde pegamos o enorme ferryboat de carros, quando fomos a Zlatni Rat.

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Estilo brega-chic que eu amoooo!
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Café da manhã bom e farto

Outras boas opções de hoteis

Há mais 4 lugares que recomendo, pois vi e gostei muito, só não fiquei em nenhum deles porque estávamos de carro, então garagem era fundamental. O Riva Suites é amplo e moderno, fica em frente à Riva e ao lado do palácio; o La Porta Luxury Rooms, ao lado da Porta de Prata, tem quartos reformados, confortáveis e com banheiros amplos; dentro das instalações do palácio, unindo o antigo ao moderno, de forma bem harmoniosa, estão o Hotel Peristil e o Vestibul Palace.

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Localização privilegiada com instalações modernas e confortáveis
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A boa localização do La Porta Luxury Rooms

As “praias” de Split

Split também tem praias, sendo Bacvice a mais próxima e popular, pois fica a apenas 15 minutos de caminhada, desde o Palácio de Diocleciano. Ela tem bares, duchas, cadeiras e guarda-sois para alugar. Logo depois vem Ovcice, com as famosas e chatas pedrinhas, e a familiar Firule.

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Praia Bacvice

A praia mais bonita do mundo!

De praias bonitas eu entendo bem, então preferi apostar todas as minhas fichas numa cartada certeira, então guardei as minhas energias para a “diva” Zlatini Rat, nosso próximo e inesquecível passeio, pelo conjunto da obra! Pega rápido o protetor solar e ‘bóra’ lá com a gente!

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