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Voo Livre no Brasil: sonho antigo e recorrente

A história do voo livre no Brasil vem de longe e de muito tempo atrás, pois o sonho de voar sempre encantou o homem, desde a Grécia Antiga, com o personagem mitológico Ícaro, que melhor traduziu esse desejo! Ele e seu pai, Dédalo, fizeram suas asas com penas de gaivotas coladas com cera de abelha, para fugirem do labirinto onde estavam presos. Apesar de alertado pelo pai, Ícaro, encantado com tudo o que via, e sem entender nada de lifts e térmicas 🙂 , voou muito alto, o calor do sol derreteu a cera das suas asas e ele caiu no Mar Egeu.

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Ícaro e se pai Dédalo

O gênio italiano

Muito tempo depois dos gregos, o gênio italiano Leonardo da Vinci (1452-1519), foi um dos que mais se dedicaram a inventar máquinas que levariam o homem aos céus, inspirado pelos bons ventos 🙂 do Renascimento. Como um mago que previa o futuro, da Vinci criou vários desenhos e protótipos de objetos voadores que temos hoje em dia, tais como a asa delta, o para-quedas e o helicóptero! Suas asas estão numa exposição em Roma, dedicada somente às suas invenções, veja as figuras abaixo!

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Protótipo das asas de Leonardo da Vinci

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Exposição em Roma sobre as invenções de Leonardo da Vinci

Quando o sonho vira realidade

Em 1951, o norte-americano Francis Rogallo registrou a patente das suas “asas flexíveis”, um novo tipo de suporte para o voo que ele já vinha testando dentro da sua própria casa, onde instalou enormes ventiladores! Mas foi somente em 1957, após os soviéticos terem lançado o satélite Sputinik, que a NASA se interessou pelo invento de Rogallo.

O propósito era trazer os satélites de volta à Terra, utilizando a estrutura metálica de asas flexíveis, apoiada num triciclo e rebocada por avião. Uma vez em voo, desconectava-se a asa, que seguia planando até o solo, como um para-quedas. Daí até alguém ter a ideia de decolar do alto de montanha sem usar nenhum reboque, foi um salto! Tongue out and winking

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As asas flexíveis de Rogallo
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Francis Rogallo, considerado o pai do voo livre

E foi assim que em 1963, na Austrália, o sonho de voar foi finalmente concretizado pelo homem! O seu precursor foi o engenheiro e inventor John Dickenson, que construiu uma asa delta não motorizada, cujas decolagens eram feitas com skis na água , abrindo as portas para um novo esporte. O nome “asa delta” foi escolhido pela semelhança com a letra grega “delta” (Δ), pois as antigas asas tinham um formato bem triangular.

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A decolagem feita na água
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O voo de Dickenson

Em 1969, Bill Moyes, que tinha sido piloto de provas de Dickenson, fez a primeira decolagem de uma montanha, também na Austrália. No mesmo ano ele fez um voo de lift (correntes de ar ascendentes) na encosta de uma montanha, numa época em que voar era mais importante do que a própria segurança dos pilotos!

O Voo Livre no Brasil: quando o “homem-pássaro” francês voou no Rio de Janeiro!

Faz quase 42 anos que o voo livre passou a fazer parte dos céus brasileiros! Tudo começou em setembro de 1974, quando o piloto francês, Stephan Dunoyer de Segonzac, chegou ao Rio de Janeiro com o firme propósito de difundir esse esporte, já praticado por ele em vários países na Europa.

Para chamar a atenção da mídia, ele decolou do alto do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. O pouso foi no Jockey Clube da Gávea, e essa bem sucedida aventura causou um enorme alvoroço na cidade, ganhou destaque em jornais e TVs e despertou a curiosidade de Luiz Cláudio Mattos, um carioca amante de esportes radicais.

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Stephan Dunoyer decolando do Corcovado

O vídeo abaixo mostra a incrível façanha de Stephan Dunoyer, que na época foi chamado de “homem-pássaro”, “homem-pipa”, ou simplesmente de “francês maluco”, por causa da sua coragem em voar com aquelas asas estranhas e nunca vistas por aqui antes! Louco ou não, ele foi o grande responsável pelo surgimento do voo livre no Brasil!

O encontro que mudou tudo: quando dois malucos resolvem voar por aí!  

Em troca da utilização de um morro que ficava no seu terreno, que era perfeito para os voos iniciais, Luiz Cláudio Mattos, por total obra do acaso, teve algumas aulas com Stephan Dunoyer. O francês costumava dar cursos de 15 a 20 dias, mas acredite, com apenas três aulas teóricas e uma prática, quando decolou depois do “professor” 😮 , esse destemido carioca foi o primeiro piloto brasileiro a voar de asa delta! A decolagem foi no dia 7 setembro de 1974, da Pedra da Agulhinha, que fica em São Conrado e a 600 metros acima do nível do mar!

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Luiz Cláudio nos seus primeiros voos

Não usando sequer um capacete de proteção e vestindo um cinto novo, que ainda não tinha sido regulado, Luiz Cláudio decolou e voou totalmente por instinto! O voo foi rápido, com alguns “bons” percalços ? e ele acabou pousando são e salvo no Gávea Golfe Clube, também em São Conrado!

Depois de ter vencido esse trauma inicial, a paixão pelo voo livre se instalou de vez, e então Luiz Cláudio, com sua visão aventureira e empreendedora, passou a investir fundo na evolução do voo livre no Brasil! Ele ensinou a sua técnica para vários outros pilotos, organizou o primeiro campeonato desse novo esporte e fundou a Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL)!

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Luiz Cláudio Mattos, o pioneiro do voo livre no Brasil

Ele foi o responsável, também, pela construção da rampa da cidade de Niterói, no estado do Rio, a de Sapiranga, no Rio Grande do Sul e pela abertura de várias outras pelo país afora! Além disso, ele montou uma fábrica de asa delta no Rio de Janeiro, chamada Astral. Sua primeira asa delta, apelidada de Tereza Batista (apropriadíssimo ?), está exposta no Museu Aeroespacial, no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.

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Outra novidade que chegou ao país dois anos depois, também por causa de Luis Cláudio, foi o voo duplo, hoje chamado de voo de instrução! Depois de uma viagem aos Estados Unidos em 1976, onde estava acontecendo um campeonato de voo duplo, ele resolveu trazer essa novidade, que há anos tem sido uma fonte de renda para os que vivem do esporte, principalmente no Rio de Janeiro!

Assinantes do Canal Off, este vídeo é simplesmente imperdível, pois reconstitui o primeiro voo livre no Rio de Janeiro, feito por de Luiz Cláudio, além de mostrar a evolução do esporte no Brasil, com depoimentos de vários pilotos pioneiros!

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Os primeiros campeonatos: o voo livre no Brasil cresce, aparece e vence!

Depois do primeiro voo no país, mais adeptos do esporte foram surgindo, e um novo acesso para as decolagens teve que ser aberto, porque o da Pedra da Agulhinha era bem difícil. Primeiro foi a Rampa das Margaridas (obra de Luiz Cláudio!), que era um grande platô natural cheio de margaridinhas (no início!), de onde se decolava e também se aterrissava!

Depois veio a Rampa da Pedra Bonita, mais alta, mais segura e com um bom vento de frente, que facilitava as decolagens. Essa rampa, na verdade, era o acesso que tinha sido aberto para se chegar numa casa que seria construída pelo arquiteto Sérgio Bernardes. Para sorte dos pilotos, a obra foi embargada, e a rampa passou a ser usada regularmente para a prática desse novíssimo esporte! A amizade do arquiteto com Luiz Cláudio (ele de novo!) também ajudou!

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Decolagem da Rampa da Pedra Bonita (foto: Silvestre Machado)

Cada vez mais badalado, o voo livre atraiu também os pioneiros do surfe do Arpoador e de Ipanema, que começaram a voar e a frequentar regularmente a Praia do Pepino, em São Conrado. Uma leva de gente bonita e saudável, artistas e formadores de opinião também migraram, transformando o Pepino no point da moda! E essa grande novidade vinda dos céus, a princípio chamada de “Air Surf” ou “Sky Surf”, formou uma tribo única, que finalmente realizava o antigo sonho do homem de voar!

E então, os pilotos quiseram ganhar os céus não mais apenas como um hobby, mas como um esporte! No entanto, as asas delta do início dos anos 70 eram muito precárias! O formato triangular e a aerodinâmica não ajudavam na penetração e no planeio, então era decolar, afundar e pumba, dali a pouco já tinha que, a duras penas, aterrissar!

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Mesmo assim, como no final de 1975 o número de pilotos tinha crescido bastante, foi organizado o 1º Campeonato Brasileiro de Voo Livre, em São Conrado. A competição contou com provas de permanência em voo e precisão, que consistia em acertar um alvo na areia da Praia do Pepino.

O campeão André Sansoldo e o vice Irencyr Beltrão representaram o Brasil no 1º Campeonato Mundial, realizado na Áustria, em 1976. Eram apenas eles dois em meio a equipes de 5 a 6 pilotos. E era a primeira vez que uma “equipe” brasileira, sem patrocínio algum, participava de um campeonato internacional de voo livre! Eles não venceram, mas já mostraram que o voo livre no Brasil teria um futuro muito promissor!

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1º Campeonato Brasileiro de 1975

Em dezembro de 1976, após o sucesso desse primeiro campeonato, e com mais adeptos do esporte, foi fundada a Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL), com sede no Rio de Janeiro. O objetivo era manter e controlar o acesso à rampa de voo livre, que foi definitivamente cedida aos pilotos.

Do Fusca à Ferrari: bacalhau não é só um peixe!

Em 1979 o Brasil sediou o 1º Campeonato Internacional de Voo Livre, quando os melhores pilotos estrangeiros participaram do evento, que teve grande cobertura da mídia. O campeonato foi bastante desequilibrado, pois os franceses tinham desenvolvido uma asa muito melhor e mais competitiva do que as utilizadas por aqui! Até então, os brasileiros só tinham voado em modelos toscos e ultrapassados, chamados por eles mesmos, pejorativamente, de “bacalhau”, pela semelhança com o formato do bacalhau salgado vendido nos mercados e por ela ser bem fraquinha mesmo!!!

 

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Este desequilíbrio, ao invés de ter sido negativo para os nossos atletas, ao contrário, acabou revolucionando o esporte no país, pois vários pilotos compraram as asas dos franceses, e com isso deram um grande salto na técnica e no desempenho, fazendo com que o voo livre evoluísse bastante. O francês Gérard Thevenot, que já era campeão europeu, ganhou mais este campeonato, mas os brasileiros saíram ganhando também!

Como esse campeonato tinha sido muito bem organizado e bem divulgado, o mundo voltou os olhos para a Praia do Pepino, no Rio de Janeiro, e os pilotos brasileiros começaram a perceber que eles também eram bons, e não meros “participantes”. As viagens para os campeonatos no exterior foram intensificadas, novos conhecimentos foram adquiridos, e a partir daí eles tiveram a certeza de que poderiam ganhar novos títulos e investir fundo no voo livre, dessa vez de uma forma bem mais competitiva e profissional.

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Praia do Pepino, anos 80 (foto: Claudio Teves)

O Voo Livre no Brasil decola nos anos 80 com a invasão dos homens-pipa em São Conrado!

No início dos anos 80 o voo livre no Brasil entrou definitivamente na moda, quando o marketing esportivo estava apenas engatinhando por aqui. Porém, algumas pessoas perceberam o grande apelo que o voo livre tinha junto aos jovens, e então começaram a investir no esporte. Foi o início da era do patrocínio e das primeiras equipes de voo livre no país. Logo foram aparecendo os primeiros destaques entre os atletas, que passaram a participar regularmente das competições internacionais.

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A era dos patrocínios

O Rio de Janeiro teve um papel preponderante no desenvolvimento desse esporte, pelo fato de possuir uma rampa dentro da própria cidade, assim, os pilotos tinham a facilidade de treinar diariamente, quando até voos noturnos eram feitos! A localização geográfica também ajudava bastante, pois a Pedra Bonita, juntamente com a Pedra da Gávea, a da Agulhinha, o Morro do Cochrane e o Vidigal criam um “bolsão de ar” com condições perfeitas de ventos, com muitas térmicas e lifts.

E então, em 1981, Pedro Paulo Lopes, o Pepê, foi o primeiro brasileiro a conquistar um campeonato mundial, no Japão. Ele era um exímio esportista e, além deste título, Pepê também ganhou vários campeonatos de surfe e foi Campeão Carioca Mirim de Hipismo.

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Pepê, campeão do surf
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Pepê, campeão do voo livre

Logo depois deste grande feito de Pepê, o filme ‘‘Menino do Rio’’ foi lançado com muito sucesso, pois ia de encontro aos anseios da juventude da época. No seu enredo havia vários surfistas, windsurfistas e pilotos de asa delta, então, a partir daí o esporte passou a ter bastante espaço na mídia e também o reconhecimento nacional.

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Assim, o voo livre passou a ser o sonho de muitos jovens, pois como dizia o cartaz promocional abaixo, “nos anos 80 os jovens queriam surfar, velejar, voar e fazer amor. Não necessariamente nesta ordem”! São Conrado virou “o” lugar de gente jovem e bonita, que estava lá para ver e ser vista! E os pilotos, agora patrocinados e ganhando campeonatos, viraram “celebridades”!

20A grande perda do menino da terra, do mar e do ar… 

Em 1991 o campeonato mundial foi realizado aqui, e o Brasil sagrou-se vice-campeão individual e também por equipes. Infelizmente, neste mesmo ano, Pepê, um já renomado atleta do voo livre, faleceu aos 33 anos. Novamente no Japão, ele tentava o seu bicampeonato, apesar das condições bastantes adversas para o voo. O voo livre no Brasil ficou de luto por muito tempo. As fotos e o vídeo abaixo mostram as bonitas e merecidas homenagens feitas a este polivalente campeão.

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Charge do cartunista Ique, também piloto de asa-delta

Em 2014, uma das melhores plataformas de voo livre do Brasil, a Rampa do Pepê, foi reaberta em Taquaritinga do Norte, cidade a 178 km de Recife. A região é bem bonita e a rampa, que fica a uma altitude de 785 metros, é uma das principais atrações turísticas da região.

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Rampa do Pepê antes
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Rampa do Pepê depois

“Aqueles que passam por nós, não vão sós. Não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. (Antoine de Saint Éxupery)

A evolução do voo livre no Brasil

No final dos anos 90 o voo livre no país evoluiu bastante, com vários destaques no cenário mundial. Em 1999, na Itália, o país sagrou-se campeão mundial por equipe. Em 2001, na Espanha, a equipe brasileira sagrou-se vice-campeã. Em 2003 foi realizado, em Brasília, o XIV Campeonato Mundial de Voo Livre, onde mais uma vez os pilotos brasileiros se destacaram e conquistaram a vice-liderança no ranking mundial, ficando atrás apenas dos pilotos austríacos.

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Campeonato Mundial de Voo Livre, 2003 (fotos de José Cruz)

Atualmente, o Brasil é a segunda força mundial no esporte, depois dos EUA. O país é considerado o “Havaí do voo livre”, e cidades como Patu (RN), Quixadá (CE), Governador Valadares (MG), Andradas (MG), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Sapiranga (RS), Igrejinha (RS), Vicência (PE), Santo Antônio do Pinhal e Atibaia (SP) são locais de renome internacional na prática do esporte.

As asas delta de alto desempenho ainda são importadas, principalmente dos Estados Unidos, Itália, França, Inglaterra, Suíça e Austrália. Muitas delas são projetadas por engenheiros aeronáuticos e alguns modelos de competição chegam a custar mais de 10.000 dólares. Mas a indústria nacional já produz excelentes equipamentos.

Meninas aladas!   

Sim, tivemos várias voadoras e Paula Frey foi a corajosa pioneira! Como ela vivia na rampa, acabou ganhando de Paul Gaiser (campeão brasileiro) um curso grátis. O seu primeiro voo foi em 1976, decolando da Pedra Bonita!

Naquela época, as namoradas dos pilotos faziam os resgates deles, principalmente na Bocaina e em Petrópolis, então, depois de algum tempo fazendo isso, elas decidiram, numa espécie de “complô coletivo”, que também queriam aprender a voar! Apesar dos protestos dos pais, parentes e amigos, esse grupo lindo, leve e solto de namoradas, criou asas, e decolou!

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Em 1979, com apenas 18 anos de idade, surgiu Maria Henriqueta de Almeida, a Keka, que em 27 dias fez o curso de voo livre, sem o conhecimento dos pais! Quando eles descobriram, não aprovaram o esporte, mas, como em apenas 1 ano e meio Keka já estava entre os 10 melhores atletas no ranking desse esporte, eles capitularam e começaram a incentivar a filha!

Ela foi campeã brasileira de voo livre e ficou em 4º lugar no Campeonato Primavera de 1981, disputado em Mauá, entre Minas e Rio de Janeiro, ficando à frente de Pepê e Paul Gaiser! Ela foi a única mulher entre 120 homens no mundial de Voo Livre na Alemanha, e ainda ganhou uma etapa do Campeonato Brasileiro em Brasília, na mesma categoria que os homens!

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Keka com sua asa patrocinada
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Uma das muitas reportagens sobre Keka

O voo livre no Rio de Janeiro

O voo na cidade é um dos mais espetaculares no mundo, pois as paisagens são realmente maravilhosas! São Conrado, local do pouso, é um bairro que além de ter uma belíssima praia, também é cercado por várias montanhas e muito verde!  O acesso é feito pela estrada das Canoas, a aproximadamente 7 km da praia do Pepino. A subida é por uma estrada calçada e qualquer carro em boas condições sobe sem problemas.

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O piloto Nader Couri com São Conrado, Pedra Bonita e Pedra da Gávea ao fundo

A rampa da Pedra Bonita, local da decolagem, está dentro da Floresta da Tijuca, que é a maior floresta urbana do mundo, lar de pássaros, micos e tucanos, que sempre visitam o local. Durante o voo é possível ver os principais cartões postais cariocas, como Corcovado, Pão de Açúcar, Morro dos Dois Irmãos, Pedra da Gávea, sem falar nas famosas praias de Copacabana, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca.

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O piloto Nader Couri sobrevoando o Cristo Redentor

A rampa da Pedra Bonita é considerada o local de maior volume de decolagens de voo livre do mundo. São cerca de duas mil por mês, número que sobe bastante no verão e nas férias, quando passa de três mil. São duas rampas de decolagem, uma para asa delta, com estrutura em metal e madeira, e outra natural para as decolagens de parapente.

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Mapa dos morros em volta da rampa da Pedra Bonita, playground dos voadores!

Informações importantes sobre o voo de instrução!

– O voo livre no Brasil e no mundo não é um esporte sem riscos! Por isso, é importante que o piloto tenha experiência suficiente para o tipo de voo que pretende fazer, que os equipamentos de segurança estejam de acordo com as especificações e que o clima permita.

– Escolha um profissional credenciado, com equipamento de segurança regularizado e local de decolagem com fiscalização adequada. Todas estas condições têm que ser respeitadas para que o voo seja seguro!

– Local do voo: Clube de Voo Livre, na Avenida Prefeito Mendes de Morais em frente ao número 1502, Praia do Pepino, São Conrado, telefone (21) 97208-9598, das 8:00 às 13:00. Veja no Google Maps.

– A rampa de decolagem fica no caminho da Pedra Bonita, dentro do Parque Nacional da Tijuca, a 550 metros acima do nível do mar. O pouso é na Praia do Pepino, em São Conrado, a poucos minutos de Copacabana e da Barra da Tijuca.

– O tempo de permanência no ar varia de 10 a 30 minutos, dependendo das condições meteorológicas (ventos, térmicas, densidade do ar) e o peso do piloto/aluno.

– Os voos costumam ser diários, mas podem ser transferidos ou cancelados, por conta das condições meteorológicas.

– Dias nublados podem ser excelentes para voar e somente o piloto poderá fazer uma avaliação precisa.

–  Evite usar roupas apertadas, sandálias tipo havaianas e salto alto, nem pensar! Prefira roupas leves e confortáveis e um par de tênis, pois é proibido voar descalço(a).

– O peso máximo permitido é de 90 ou 95 kg, isso vai depender da condição climática. Acima disso é recomendado o voo de Parapente.

– Para uma perfeita decolagem é necessário correr ao lado do piloto, ao longo de uma plataforma de 5 graus de inclinação e 8 metros de comprimento.

– Antes de voar o aluno deverá assinar um Termo de Responsabilidade e pagar uma taxa de matrícula ao Clube de Voo Livre, em São Conrado.

– O voo livre no Brasil é proibido para menores de 16 anos; os menores de 18 anos devem estar acompanhados de um responsável e ambos deverão apresentar um documento de identificação.

– Nos feriados e finais de semana prolongados o agendamento prévio é recomendado.

Abaixo, o vídeo mostra um bonito voo realizado no ano passado, pra você se inspirar!

Curiosidades

– Sabe aquela grande área gramada onde fica o Clube do Voo Livre, em São Conrado? Graças a Luiz Cláudio Mattos (outra vez!) é que ela está lá! Originalmente a saída do Túnel do Joá em direção à Zona Sul passaria bem no meio do gramado. Porém, como Marcos Tamoio, prefeito da cidade entre 1975-1979, era aluno de voo livre de Luiz Cláudio, o pedido para que o espaço fosse preservado foi feito pelo instrutor e prontamente atendido pelo aluno! Veja pela foto abaixo o desvio que foi feito na pista!

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– Para quem sonha em voar mas não tem coragem, recomendo a leitura do ótimo livro “Muito Além do Voo“, de Mara Luquet e Ruy Marra. Ela, jornalista de finanças pessoais, e ele um neurocientista, bicampeão brasileiro de voo livre e instrutor dessa modalidade, escreveram juntos sobre o poder paralisante do estresse e como vencê-lo. Parabéns aos dois, pois graças às técnicas de Marra, Mara venceu seus medos e voou, pois “passado não é destino“! Leiam o livro! Inspirem-se! Voem! 

–  A razão de planeio de um asa delta é em torno de 1:18, ou seja, para cada 100 metros de altura ele consegue planar 1.800 metros de distância.

– O maior distância percorrida por um asa delta é de 700,6 Km, aconteceu no Texas, EUA, e o piloto era o austríaco Manfred Ruhmer. No Brasil, a maior distância percorrida é de 452Km, pelo piloto gaúcho André Wolf, decolando da cidade de Quixadá, no Ceará.

Origem do voo livre no mundo: abaixo, o vídeo mostra a entrevista feita com Francis Rogallo, John Dickenson e Bill Moyes, em 1988 (fonte: DVD do Sydney Hang Gliding Centre).

O 1º voo de Stephan Dunoyer antes do 1º voo de Stephan Dunoyer (hein???)

A maioria das fontes diz que o primeiro voo de Stephan Dunoyer, no Brasil, foi feito do Cristo Redentor, mas o filme do cinegrafista amador, José Roberto Rodrigues, prova que houve um voo na semana anterior! Este voo foi feito de um local entre a Pedra Bonita e a Agulhinha, possivelmente onde hoje fica a rampa de São Conrado. Tudo foi registrado com uma câmera Super 8, no dia em que o cinegrafista subiu a Pedra da Gávea com a sua namorada.

Numa dessas incríveis coincidências da vida, José Roberto trabalhava no escritório de arquitetura de Sérgio Bernardes, dono do terreno da Pedra Bonita, que naquela época era o responsável pela construção da estrada que dá acesso à rampa até hoje. Stephan Dunoyer tinha ido poucos dias antes ao escritório do arquiteto, para pedir autorização para realizar o voo. Bernardes ainda o apresentou a José Roberto dizendo “esse aqui é o francês voador”!

Mesmo lembrando disso, José Roberto tomou um baita susto quando, naquele dia de 1974, viu surgir no céu, do nada, aquela enorme asa colorida, com o francês-voador pendurado nela! Detalhe, quando Stephan passou por cima da Pedra da Gávea, José Roberto berrou o nome dele e ele acenou de volta!

É, esse francês era muito doidão mesmo!!! Assim como todos os pioneiros do voo livre no Brasil, especialmente Luiz Cláudio Mattos, com a sua fiel e inseparável asa, Tereza Batista!

Para voar sem sair do chão, veja todos os 10 episódios da maravilhosa série História do voo livre no Brasil, no Canal OFF!

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Os pilotos pioneiros!

Quando eu também voei!     

Por volta de 1988/89 eu fiz um voo duplo (naquela época era assim que se chamava) com um ótimo piloto chamado Campão. Ele era o namorado de uma amiga, e um dia, sem eu saber de nada, subimos nós 3 até a rampa da Pedra Bonita, para ver o visual e tirar algumas fotos (era o que eu pensava!).

Aí o Campão começou a se arrumar para o voo, eu observando tudo, fotografando, e de repente ele me chamou pra junto dele, já me explicando o que eu deveria fazer, principalmente na decolagem! “Hein, como assim? Eu? Nãããão, eu vim aqui só pra fotografar, para com isso Campão”! “Não”, disse ele calmamente, do alto dos seus quase 2 metros de altura, “você veio aqui pra voar”!

Tudo foi tão rápido, e tão mágico, e tão inesperado, que quando dei por mim já estava do lado dele, me preparando pra correr! Lembro agora, com muita emoção, do pânico e êxtase profundo que senti quando a rampa sumiu aos meus pés! A sensação de vácuo foi muito rápida e totalmente irrelevante, quando comparada ao que veio depois: V O A R !!!

Nada do que eu disser poderá traduzir a beleza, a grandeza e a emoção que senti naquele voo, principalmente porque foi da Pedra Bonita, com aquela paisagem maravilhosa do mar, da praia e das montanhas! Falar sobre essa sensação é difícil, então acho que a melhor resposta veio de Stephan Dunoyer de Segonzac (o francês maluco, lembra? 😛 ), assim que ele pousou no Jóquei Clube do Rio de Janeiro, em 1974, quando foi questionado sobre o que ele achava de voar:

“É coisa de pássaro, pássaro não fala!”

Porque o silêncio e a comunhão que se tem com os elementos da natureza, a sensação de pertencimento e de reverência para com o Criador, que fez tudo ao redor, e que permitiu aos homens voar livremente, como os pássaros, não se explicam, apenas se sentem! Para sempre!

E olha que não gosto de altura nem de viajar de avião! Pois naquele voo não senti medo algum, ao contrário, só senti uma enorme felicidade e gratidão por ter podido vivenciar aquela experiência única e inesquecível!

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Um novo projeto para uma nova escola de voo livre!        

Desde que a escola de voo que ficava na Serra da Grota Funda foi fechada, o número de associados caiu em 30%! Por isso, a Associação de Voo Livre quer aproveitar as obras para as Olimpíadas de 2016, que estão sendo feitas perto da sua sede, para suprir essa importante demanda. Aproveitando a ampliação do Elevado do Joá e a construção do emissário submarino, que interditaram parte da área de pouso de São Conrado, o presidente da ABVL, Chico Santos, faz uma reinvindicação: que o barranco na ponta da praia seja adaptado como uma rampa para uma nova escola de voo.

Há anos a associação pensa em fazer a nova rampa no final da Praia do Pepino, no início da subida para o elevado do Joá, por onde passará a nova ciclovia. Mas, faltam principalmente recursos e oportunidade para tal. Chico Santos viu nos atuais canteiros de obras a chance de concretizar o projeto, que não parece complexo, pois segundo ele, basta apenas criar um declive natural e gramar a área.

As pedras das obras poderão ser aproveitadas na obra, afirma Santos, que já deve ter enviado o projeto à Subprefeitura da Zona Sul (essa reportagem é de julho/2015). É uma oportunidade única, que não deve ser esquecida! Pilotos e simpatizantes, mobilizem-se, o voo livre pode e deve resgatar o glamour dos anos 80!

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Luiz Cláudio, o querido Professor Pardal, e eu, em tarde de animadas lembranças!

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2 Comments

  1. Bom dia amigos pássaros! !!
    Eu li toda a matéria de vocês, cara, vocês são demais! Só em lê esses relatos de vocês sobre vôou livre, eu já me sentir nas nuvens, voando mesmo! Amo vôou livre, nunca pratiquei, porém imagino que seja magnífico, moro aqui em Limoeiro do Norte- Ceará, a mais ou menos uns 120 quilômetros de Quixadá, gostaria muito de ter a oportunidade de voar, porém tenho medo, mas um dia chego lá se Deus quiser, parabéns pela matéria de vocês, sou fã de todos vocês, beijos pra todos, um feliz 2016,e que Deus nos proteja sempre! !!!!!!!!!!!

    • Olá Clésio! Obrigada pelo seu gentil comentário!
      Que bom que você gostou do nosso artigo e pôde “voar” com ele ?! Agora é tomar coragem e voar de verdade, rsssss ?! Você tem uma boa rampa em Quixadá, então é só questão de tempo!
      Continue lendo o nosso site, pois teremos sempre novidades!
      Desejamos um ótimo 2016 pra você também! ?

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